[15 de janeiro]
27.5.08
uma coisa que me intrigou, desde a morte da minha avó, foi a transitoriedade das pessoas e das coisas na vida da gente. comecei, desde então, a prestar mais atenção em como desaparecemos, todos. meu professor falou esses dias que um biólogo amigo dele disse que mudamos TODAS as células do nosso corpo a cada 7 anos. eu já tô com 25 anos, o que quer dizer que já sou biologicamente outra 3 vezes e meia."mas não era isso que eu queria falar", como diria oswaldo montenegro... eu poderia ter me apegado mil vezes mais à ilusões de permanência... mas seria muito hipócrita que eu, que gosto tanto de choques de realidade, me apegasse à essas mentiras que me contam.
talvez pelo jeito mais difícil eu tenha aprendido que "águas passadas não movem moinhos". as coisas tem que acontecer mesmo, pessoas tem que ir embora, morrendo ou entrando em um ônibus e sendo levadas pra longe da gente. pra que um dia a gente possa morrer também, ou entrar em um ônibus pra ir encontrar essa pessoa que foi embora de repente, porque é sempre de repente quando se trata de se despedir.
a gente vive numa babaquice de sempre querer saber que gosto tem as coisas, pra depois experimentar... primeiro queremos saber como é a vida, pra que ela serve, como começou, como, quando, onde vai acabar e no meio de tantas perguntas e tanto medo, acabamos esquecendo de viver... porque achamos mais fácil esquecer que existe a vida e que a morte faz parte dela, que a dor faz parte dela, que sofrer faz parte dela. simplesmente isso: faz parte. temos invertido tanto as coisas que o todo virou parte e a parte virou todo...
eu mesma, perdi as contas de quantas vezes, ontem, anteontem, semana passada, quis que o tempo parasse, que tudo ficasse como estava; eu, quantas vezes covarde, quis evitar o sofrimento a qualquer custo... sem querer saber se o que eu sentia já era sofrimento (mesmo que soubesse que era, maldita consciência do inconsciente!), ou se pela repetição do mesmo quadro, se tornaria sofrimento em menos de 24 horas...
no fim das contas, acho que o que nos separa, o que nos atravessa, é o tempo...
chronos, o deus do tempo
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