1.10.08
numa das aulas da pós nesse fds, tava lá sentada na carteira olhando uns rabiscos enqto o professor falava sobre coisas realmente lacanianas e importantes. entre os rabiscos tavam umas fórmulas matemáticas, e fiquei pensando que apesar de nunca ter aprendido matemática, seria melhor se eu tivesse me dedicado a um outro estudo, que não fosse o da psicologia e mto menos o da psicanálise. pra quê saber de "tudo isso"? estar sempre afetando as pessoas e sendo afetada por elas, sempre sentindo e procurando elevar esses sentimentos ao nível de um saber, ainda que precário, sobre mim? pra que viver sempre me perguntando, incessantemente? sim, há respostas pra algumas perguntas, mas essas respostas já não são suficientes.
talvez por perceber que nunca vou saber o suficiente ou que aquilo que eu sei nunca vai dar conta de responder às minhas novas perguntas. ou sei lá, talvez esteja sendo só difícil me conformar com o fato de que não há respostas pra alguns desses questionamentos.
se eu tivesse me dedicado a qualquer outra coisa, talvez também estivesse cansada, mas pelo menos poderia me distrair com outras preocupações, uma conta que não se resolve, uma meta que não alcanço, uma prova, outra coisa qualquer que não fosse esse negócio, essa agonia, essa angústia, sei lá que nome tem isso.
se eu tivesse me dedicado a outra coisa talvez pudesse viver na ilusão de que um dia teria meu desejo satisfeito, que se tal coisa acontecesse, ai sim, poderia viver plenamente, mas não. não tenho essa ilusão. sei que a satisfação de um desejo marca o nascimento de outro.
e como se não bastasse a minha inquietação, me vejo novamente capturada pelo desejo de quem me cerca, me vejo novamente sem saber o que fazer (sabendo q não posso fazer nada) e sentindo que se não fizer nada, não vou ser suficiente.
maldito desejo de primogênita... madito desejo de contemplar tudo num texto, de resolver tudo num verso, de resumir tudo numa música. maldito desejo do impossível, maldita entrada no mundo das palavras, que me ajudam tanto a expressar o que não consigo dizer, mas ao mesmo tempo não são precisas o suficiente pra me traduzir...
maldita inquietação eterna, que atravessa tantos tempos, tanta gente, que nunca, nunca, nunca pára. maldito tempo que nos tira o que não temos e nos dá o que não pedimos.
já tô cansada de estar sempre cansada. é um sono que não me descansa, uma fome q nunca é saciada, uma leitura que não tira minhas dúvidas, todas essas coisas que aumentam o vazio. por enquanto, pelo jeito, será tempo de chorar e reclamar por essas coisas que eu já sabia mas que se repetem desde que voltei a estudar.
sei que vou ter que achar um jeito de poder não me levar tão a sério (maldito ideal do ego), que vou ter que achar um jeito de encontrar prazer em viver, apenas, em poder ter alguns desejos satisfeitos, outros não, e sempre estar desejando e achando graça nisso, sempre tendo que me haver com a angústia e a ansiedade, sem ficar assim tão cansada. ou ficando, sei lá. é ruim cansar de si mesma, é ruim saber desse cansaço, sentir esse cansaço. ter a sensação de que os dias nunca páram de se repetir diante dessa equação que não se resolve e por isso se repete, sobre a qual eu preferia não saber, se é que existe alguém que realmente não saiba.
seria tão melhor pensar que o mundo é o que é e que eu apenas tenho que me adaptar, fazer parte dele, entrar no ritmo, dançar conforme a música, mas eu nunca consegui isso, quem sabe por isso, eu vivo dizendo que preferia não ter vindo... como quando vc chega numa festa e se vê pensando que preferia ter ficado em casa. talvez eu repita isso sempre ou talvez isso evolua pra um "já que tô aqui, então vou aproveitar".
só o (maldito) tempo dirá...
john mayer - lenny/man on the side
2:01:48 AM
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1.9.08
distante
counting crows - anna begins
10:41:37 PM
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13.6.08
"a gente enterra coisas vivas e elas ficam fazendo barulho no porão" [paulo gaudêncio]
OU
"o domínio dos sentimentos leva a tratar-se os outros com frieza e apatia, como objetos de gozo." [ana maria rudge, no texto "versões do supereu e perversão"]
1:18:18 AM
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27.5.08
uma coisa que me intrigou, desde a morte da minha avó, foi a transitoriedade das pessoas e das coisas na vida da gente. comecei, desde então, a prestar mais atenção em como desaparecemos, todos. meu professor falou esses dias que um biólogo amigo dele disse que mudamos TODAS as células do nosso corpo a cada 7 anos. eu já tô com 25 anos, o que quer dizer que já sou biologicamente outra 3 vezes e meia."mas não era isso que eu queria falar", como diria oswaldo montenegro... eu poderia ter me apegado mil vezes mais à ilusões de permanência... mas seria muito hipócrita que eu, que gosto tanto de choques de realidade, me apegasse à essas mentiras que me contam.
talvez pelo jeito mais difícil eu tenha aprendido que "águas passadas não movem moinhos". as coisas tem que acontecer mesmo, pessoas tem que ir embora, morrendo ou entrando em um ônibus e sendo levadas pra longe da gente. pra que um dia a gente possa morrer também, ou entrar em um ônibus pra ir encontrar essa pessoa que foi embora de repente, porque é sempre de repente quando se trata de se despedir.
a gente vive numa babaquice de sempre querer saber que gosto tem as coisas, pra depois experimentar... primeiro queremos saber como é a vida, pra que ela serve, como começou, como, quando, onde vai acabar e no meio de tantas perguntas e tanto medo, acabamos esquecendo de viver... porque achamos mais fácil esquecer que existe a vida e que a morte faz parte dela, que a dor faz parte dela, que sofrer faz parte dela. simplesmente isso: faz parte. temos invertido tanto as coisas que o todo virou parte e a parte virou todo...
eu mesma, perdi as contas de quantas vezes, ontem, anteontem, semana passada, quis que o tempo parasse, que tudo ficasse como estava; eu, quantas vezes covarde, quis evitar o sofrimento a qualquer custo... sem querer saber se o que eu sentia já era sofrimento (mesmo que soubesse que era, maldita consciência do inconsciente!), ou se pela repetição do mesmo quadro, se tornaria sofrimento em menos de 24 horas...
no fim das contas, acho que o que nos separa, o que nos atravessa, é o tempo...
chronos, o deus do tempo
9:00:24 PM
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13.3.08
esses dias fui dar uma espiada nos arquivos do blog... e que grata surpresa, dessa vez não fiquei triste! me emocionei sim, chorei, mas de felicidade... em ver o que posso chamar de "meus progressos".
progressos morais, emocionais, sentimentais, racionais, no meio de tanta coisa que escrevi. e escrevi, e escrevi muito... chorei muito, antes, durante e depois. vi filmes, ouvi milhares de músicas, conheci tantas pessoas que fizeram meu caminho ser surpreendente e emocionante. tomei tantas decisões difíceis, fiz escolhas que só me lembrei de ter feito quando reli os textos de 2004. eu sempre pensava o que a dea de 5 ou 6 anos atrás sentiria se pudesse conhecer essa dea de hoje, mas nunca tinha pensado que poderia ficar feliz em encontrar a dea de 4 anos atrás. pensei que despertaria sempre tristeza, melancolia, nostalgia, mas foi uma surpresa muito legal poder me reconhecer ainda naquelas linhas e tbm poder perceber no que foi que, finalmente, amadureci.
graças ao que dizem ter me mudado irremedivelmente pra pior, leia-se a terapia e a facul de psicologia, eu digo que finalmente tenho segurança pra andar com as minhas próprias pernas. afinal de contas, eu penso que é isso que a gente vem fazer no mundo, claro que contando com a ajuda de quem quer nos ajudar. quem me ajuda é quem está comigo 'apesar de' e não 'por causa de'. hoje, ao menos, já não acho que existam tantos 'apesares', e eu me vejo muito mais cuidadosa no sentido de não magoar quem fica perto de mim. quem me aguenta hehehehe
no mais, espero não sentir culpa quando eu for, mas só vou poder contar o que senti depois que sentir, né? e penso estar fazendo tudo na hora certa, na minha hora, no meu momento. se eu fosse antes, a culpa seria insuportável e talvez o fim muito mais sem volta do que foi...
ah! e escrever ainda é minha terapia... só que eu não tenho mais que fazer terapia uma vez por semana! :P
(eu tenho muito carinho por esse espaço e não vou deixar de escrever aqui...)
eu já agradeci um monte de gente aqui no blog, mas nunca agradeci a mim. então hoje agradeço: muito obrigada, andrea, por ter se suportado gorda, chata, reclamona, briguenta, revoltada, rebelde, injustiçada, preguiçosa, irada, exagerada, dramática, carente, muito carente, extremamente carente... muito obrigada por ter cuidado de vc mesma quando não tinha mais ninguém pra fazer isso, por ter feito curativos em cima de cortes fisicos e emocionais, mesmo que isso tenha te custado algumas lágrimas. vc cresceu, é o que podemos chamar de adulta e isso é uma baita responsabilidade, não com os outros, mas com vc mesma. o inconsciente é foda, mas ser consciente dele é mais foda ainda!
vander lee - esperando aviões
9:44:07 PM
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31.1.08
durante um tempo da minha vida a única coisa que eu queria fazer diante do medo era enfrentar... durante esse tempo, eu esqueci que ter medo também serve pra proteger a gente de algumas dores, e de alguma maneira, fui inconsequente frente àquilo que podia me machucar. um delírio de onipotência, talvez... me machuquei, me deixei machucar, muito.
parece que agora eu estou mais consciente das minhas limitações e por isso não quero e nem preciso experimentar até quando eu aguento.
talvez eu não precise nem mais escrever pra outras pessoas lerem... eu fiquei tanto tempo sem escrever aqui, e nem sei se ainda tenho motivo! aconteceram muitas mudanças nos últimos tempos e o mais interessante é que por mais que eu escreva aqui, elas nunca vão parar de acontecer e eu nunca vou conseguir explicar que tantas mudanças são essas. se eu clicar em qualquer um dos arquivos do blog, tenho certeza que a palavra "mudança" vai estar em pelo menos 1 post de cada mês e tenho mais certeza ainda que minha impressão diante dessas mudanças deve ser parecida com a que tô tendo agora... um tanto de perplexidade...
deve ser aquele negócio de que os sentimentos permanecem e o que muda é nosso jeito de lidar com eles...
john mayer - slow dancing in a burning room
12:38:14 AM
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22.12.07
"amo-te não somente pelo que és
mas também porque sou
quando estou contigo
amo-te
não apenas pelo que fizeste de ti mesmo
mas também pelo que estás fazendo de mim"
eu não sei de quem é esse poema; só sei que retirei do livro que meu oftalmologista (querido Dr. Henrique Packter) escreveu e que nele também não consta a fonte. ah! também sei que faz todo sentido pra mim... é isso que eu penso do amor, resumidamente...
tenho pensado muito e tenho um monte de coisas pra discutir, mas não vai ser aqui. aqui é sempre lugar de resultados, apesar de não parecer :)
12:51:47 AM
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19.12.07
esse texto aí embaixo foi o primeiro texto com o qual eu caí em lágrimas na vida. o primeiro de muitos!! eu devia ter uns 15 anos quando li pela primeira vez, e o mais impressionante é que relendo hoje, com 24, eu "re-chorei".
é tão bonito... porque é singelo e ao mesmo tempo muito sofisiticado... ah, não sei explicar. só queria deixar registrado aqui no meu espaço que esse texto é significativo pra mim. quem tiver paciência, curiosidade, vontade, que leia... :)
"Para uma menina com uma flor
Vinicius de Moraes
Porque você é uma menina como uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, o que, aliás, você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.
E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque você sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano, e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre um nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, parecendo uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der uma paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.
E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta e não concorda porque ele é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.
E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você, se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse cantando sem voz aquele pedaço que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.
E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonha - a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa.
E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfeitando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobre tudo porque você é uma menina com uma flor." (In: Crônicas e Poesia completa e prosa)
9:40:07 PM
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12.12.07
"quem nada conhece, nada ama.
quem, nada pode fazer, nada compreende.
quem nada compreende, nada vale.
mas quem compreende também ama, observa, vê...
quanto mais conhecimento houver numa coisa
tanto maior o amor...
aquele que imagina que todos os frutos
amadurecem ao mesmo tempo,
como as cerejas, nada sabe a respeito das uvas"
paracelso [é o pseudônimo de phillipus aureolus theophrastus bombastus von hohenheim. foi um famoso médico, alquimista, físico e astrólogo. seu pseudônimo significa "superior a celso"]
9:29:22 PM
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26.11.07
no fundo eu sempre soube das tuas omissões. vai ver que por isso sentia freios tão grandes quando tentava me aproximar de ti... ou seria um muro que você colocava? não sei, talvez nunca venha a saber... a vida é assim mesmo, cheia de coisas que a gente sabe, ou acha que sabe, outras que a gente nunca vai saber. hoje foi um dia que acordei dizendo que a vida é uma merda, mas agora, no começo da noite, já não acho que ela é tão merda assim... ou pelo menos não mais do que eu tô acostumada que ela seja...
deve ter sido sempre assim... eu querendo saber de tudo que fosse possivel e você querendo me esconder o que pensava e sentia. aí como eu ficava insegura, também não conseguia ficar mto próxima. é, não duraria muito tempo mesmo...
não me importaria se tudo tivesse ficado na ausência de promessas, mas você quis mais... quis que eu mostrasse o que sentia pra que você pudesse continuar omitindo, mas isso tá fora do meu alcance. mesmo que eu quisesse, não conseguiria fazer, porque me sentiria uma perfeita idiota me relacionando com uma parede, e uma parede de omissões, o que é ainda pior.
fico pensando com que partes de você eu me relacionei... é terrível pensar que foi só com as partes que você pensou que eu aceitaria... isso resulta em tantas perguntas que eu acho melhor nem começar mesmo!! e já que na primeira "briguinha besta" você já achou melhor superficializar tudo, ficamos assim.
é estranho que você tenha falado que omite coisas porque isso me parece coisa de quem tá mais interessado em contar do que omitir... mas isso são coisas pra você resolver, não eu. e se você omitisse as coisas com o objetivo de me manter perto de ti, bastaria eu dizer que isso me afasta pra que você mudasse de estratégia, mas não bastou: você preferiu continuar omitindo a apostar na possibilidade de aprofundar uma relação que nem precisava ficar extremamente intensa, mas que poderia ter dado passos diferentes dos que está dando agora.
escolher é bom!
"pra quem não sabe amar
fica esperando alguém
que caiba no seu sonho
como varizes que vão aumentando
como insetos em volta da lâmpada
vamos pedir piedade
senhor, piedade
pra essa gente careta e covarde
vamos pedir piedade
senhor, piedade
lhes dê grandeza e um pouco de coragem"
cazuza - blues da piedade
9:37:42 PM
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22.11.07
eu sou a pessoa mais desligada que eu conheço. acho que ando paradoxal como nunca... ou como sempre. buscar respostas: isso é tudo que eu devia parar de fazer. ainda mais quando as perguntas pras quais eu desejo respostas são sobre sentimentos... esses não fazem o menor sentido mesmo e podem se dar o luxo disso. na verdade eu acho que lembro do que não deveria lembrar; esqueço do que não deveria esquecer. eu nem sei como eu tô dirigindo... tomara que isso vire automático logo! é muita coisa pra lembrar ao mesmo tempo :)
reconheço minhas vitórias, ao menos... reconheço minha recente espontaneidade, reconheço que quem não suporta minhas neuroses não precisa mesmo ficar ao meu lado, reconheço as neuroses que não suporto e me afasto, não sem antes tentar deixar tudo claro... comunicar meus motivos, meus porquês, minhas respostas, mesmo que as perguntas não tenham sido feitas. procuro sempre responder, mas nem sempre dá... porque às vezes eu nem tenho mesmo o que dizer... outras vezes nem quero dizer nada...
reconheço que não quero mais medir forças com ninguém. já provei pra mim até onde eu aguento ir e não quero mais chegar lá... porque dói ficar quieta quando quero falar, dói falar quando quero ficar quieta, é chato perder uma piada por medo do ridículo e é ruim se sentir ridícula por não ser espontânea.
fico feliz que tenha conseguido essas vitórias e mais algumas, principalmente em relação ao que estava guardado pra ser oferecido a alguém que se dispusesse. dedicação e desperdício, como disse meu amigo uma vez...
sobre minha solidão, ainda não sei dizer onde ela tá e não sei de quanto dela eu quero desistir.
longe da intangível perfeição, reconheço que ainda tropeço em antigos erros quando me sinto insegura... me dou esse direito, e quem não me dá, é melhor que se cale mesmo.
e que fique aqui registrado que quero parar de falar palavrão! :)
ao som de: edwin mccain - take me.
10:47:57 PM
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21.10.07
do livro "Ignorance is a Bliss", de Trevor Strong, os 7 passos para ser ou se tornar [mais] estúpido:
1- páre de pensar - limpe sua mente
2- culpe os outros pelos seus problemas
3- páre de sentir - delete suas emoções
4- construa muros ao seu redor - mantenha todas as pessoas distantes de você
5- evite desafios - se você nunca tentar, nunca vai falhar
6- acredite em você mesmo - ame a você mesmo e a mais ninguém
7- negue, negue, negue - a sua verdade é a única verdade
3:43:59 AM
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17.9.07
hoje não quero inventar alegrias. hoje não quero pensar que um dia vou ser feliz. hoje não quero imaginar a vida linda que eu poderia ter tido ou que um dia vou ter. hoje só quero deitar no escuro e no silêncio e ficar e ficar. me iludir que aquela sensação de paz e alívio pode durar pra sempre. quero poder dormir o sono dos cansados do mundo e das coisas como elas são. poder sonhar coisas que não vou lembrar depois e não ter sonhos interrompidos. poder respirar.
hoje não quero ajudar ninguém e nem ouvir desabafos. não quero atravessar na faixa e nem pensar na fatura do cartão de crédito. não quero me preocupar em ser politicamente correta, simpática, educada. não quero sentir que remo contra a maré. não quero "desafinar do coro dos contentes".
hoje não quero me preocupar com os downloads que não vem, nem com meu teste no DETRAN, nem com quem vou conversar no MSN a noite. não quero pensar se isso que sinto é só mais uma TPM ou se é o inferno de existir. não quero, hoje, ficar esperando o próximo acontecimento que vai me fazer sorrir, a próxima frase que vai me fazer soltar uma gargalhada, nem o silêncio que vai me fazer sofrer. não quero pensar que pago uma internet de merda que nunca funciona, que não vou ter dinheiro pra comprar aquele vestido da vitrine, e que no final das contas nada disso importa.
hoje quero qualquer coisa pra fingir que tô distraída, qdo na verdade os pensamentos fervem e borbulham na minha cabeça e os sentimentos gelam o coração.
mas, como sempre, como todo dia, o que eu quero não faz muita diferença... amanhã vai ser outro dia e a despeito da minha vontade, daqui 6 horas o sol vai nascer de novo.
the fray - how to save a life (live)
11:27:24 PM
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16.9.07
"escolher a vida.
escolher um trabalho.
escolher uma carreira.
escolher uma família.
escolher uma televisão grande do caralho, escolher máquinas de lavar, carros, cd players, e abridores de lata elétricos.
escolher a boa saúde, o colesterol baixo e o seguro odontológico.
escolher reembolsos fixos do financiamento.
escolher uma quitinete.
escolher seus amigos.
escolher a roupa de lazer e o jogo de malas.
escolher alugar uma suite de três peças em uma área cheia de construções do caralho.
escolher DO IT YOURSELF e querer saber quem você é em uma manhã de domingo.
escolher sentar-se nesse sofá, assistindo esses game-shows sonolentos, enchendo sua boca de junk food.
escolher falar merda no final disso tudo, empurrando você mesmo a um lar miserável, nada mais do que uma vergonha aos pirralhos egoistas e fodidos você gerou pra te substituir.
escolher seu futuro.
escolher a vida…
mas por que eu iria querer fazer uma coisa como essa?
…
eu estou seguindo em frente, indo em linha reta e escolhendo a vida. eu estou olhando pra frente. eu estou sendo justamente como você: o trabalho, a família, a televisão grande do caralho, a máquina de lavar, o carro, o CD e o abridor de lata elétrico, boa saúde, colesterol baixo, seguro odontológico, hipoteca, quitinete, roupa de lazer, bagagem, suite de três peças, do it yourself, game shows, junk food, crianças, caminhadas no parque, nove a cinco, bom no golf, lavando o carro, a escolha das roupas, Natal em família, pensão, isenção de imposto, limpando as calhas, levando a vida, olhando adiante, até o dia de morrer."
ewan mcgregor em trainspotting
6:16:39 PM
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